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sábado, 21 de julho de 2012

Telefonia móvel: quem está satisfeitos?


A Folha de S.Paulo acerta ao criticar a ANATEL por não levar em conta os indicadores, mas erra em não considerar importante a satisfação dos consumidores. O problema são os indicadores escolhidos ou o acompanhamento? Infelizmente a matéria nada diz sobre isto.


Uol

21/07/2012

Anatel deixa critério técnico em 2º plano para punir operadoras

JULIO WIZIACK
ANDREZA MATAIS
JULIA BORBA

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) deixou em segundo plano critérios técnicos adotados por ela e usou reclamações de consumidores para justificar a suspensão, a partir de segunda, da venda de novas linhas por três das quatro principais teles: TIM, Oi e Claro.

Até hoje, a agência avaliava os serviços com base em um conjunto de indicadores, três dos quais auferem a qualidade da rede. Nesses, todas as quatro maiores operadoras apresentavam números dentro da meta estabelecida, embora longe de um índice de excelência (veja quadro abaixo).

Por isso, as teles afirmam que não há estado de "calamidade pública" no setor e tentam reverter a punição.

Claro e Oi entregaram propostas de ajuste, mas a agência não aceitou os planos apresentados pelas duas operadoras nos últimos dois dias.

Já a TIM entrou na Justiça ontem com mandado de segurança, para tentar manter as vendas. O argumento é o de que a Anatel considerou as reclamações registradas em seu call center, algo que, para as teles, contraria o regulamento que define como medir a qualidade.

FALHAS CONHECIDAS
Documentos obtidos pela Folha mostram que, usando os critérios técnicos, a Anatel havia detectado, em 2010, desempenho insuficiente tanto por parte da TIM quanto da Claro. A primeira tinha desempenho 30% abaixo do desejado; a segunda, 17%.

O caso da TIM era mais gritante porque, ao lançar o plano Infinity (ligações ilimitadas), ampliou muito rapidamente sua base de clientes.

A sobrecarga da rede levou a Anatel a abrir um processo contra a TIM. A opção, naquele momento, foi impor à operadora um plano de "investimento acompanhado".

Agora, a Anatel diz que os investimentos da TIM não foram suficientes e que havia risco de "pane sistêmica".

Não há, no documento a que a Folha teve acesso, argumentos técnicos ou referência a informes da área técnica. A TIM, que nega o risco, diz que o plano foi aprovado integralmente pela agência.

Consultada sobre as divergências de critérios, a Anatel não respondeu até o fechamento desta edição.

A VEZ DO CONSUMIDOR
Embora a Justiça houvesse, desde 2011, suspendido a venda de chips de diferentes operadoras em diferentes Estados, a Anatel vinha optando por outras medidas.

Em 2009, a venda do Speedy (serviço de internet da Telefônica) só foi suspensa após pane que deixou São Paulo sem conexão durante três dias. Na semana passada, a Anatel havia aprovado o plano de metas da TIM e adiado a possibilidade de suspensão.
A nova medida coincide com pressões da presidente Dilma para que as agências demonstrem claramente que estão ao lado do consumidor.
Foi tomada também depois de parlamentares terem inquirido o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) e João Rezende, presidente da Anatel, em audiência pública, sobre a qualidade da telefonia.


Para o advogado Pedro Dutra, especialista em defesa da concorrência, a mudança de critérios pode ser chamada de "regulação plebiscitária". "O governo toma uma decisão que agrada à opinião pública, mas que, no longo prazo, não resolve o problema."

sábado, 17 de março de 2012

Não adianta procurar que não vai encontrar

A queda de braço entre Dilma e o Congresso Nacional não é tratada pela mídia como algo novo e sim a repetição do mesmo. Será? A preguiça de analisar substituir a necessidade de entender. Abaixo reproduzo alguns comentários dos “especialistas”. 

Estadão

17/03/2012

Os nós que Dilma tem de desatar

Partidos de sustentação do governo exigem mais diálogo e menos poder ao PT; abaixo, os principais entraves da presidente no atual momento.


Folha Uol

Josias de Souza

Eduardo Campos move-se para virar ‘alternativa’ a Dilma para 2014 e já atrai simpatia até de FHC 



domingo, 1 de janeiro de 2012

Tudo de novo, de novo

No primeiro dia do ano, a Folha de São Paulo resolve destacar a notícia de que a economia brasileira terá problemas em 2012. Querendo parecer vigilante e crítica, requenta algo que já foi dito anteriormente. No fundo é mais uma demonstração de descompasso e, talvez de boçalidade.


Uol.com
1º/01/2012

País terá expansão modestaem 2012, preveem analistas

 O Brasil encerrou 2011 com um dos crescimentos mais baixos entre os emergentes, informa reportagem de Érica Fraga e Mariana Schreiber, publicada na Folha deste domingo.
O país é o quinto que menos cresceu, em um grupo de 24 analisados, estima a consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit). E deve repetir, em 2012, uma expansão ainda moderada.
Analistas projetam que o ano que começa será de recuperação, porém modesta e frágil. Traduzindo em números, o país deve crescer pouco mais de 3%, em média, nos dois primeiros anos do governo Dilma Rousseff.
O balanço é pior do que os celebrados 4,5% médios do segundo mandato do presidente Lula (2007-2010).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Depois do silêncio, a desfaçatez


Matéria do Portal Uol sobre a Pirataria Tucana é prestado para divulgar as Notas Oficias de FCH e do PSDB. A desqualificação do jornalista  que aparece de forma explícita nas notas, é sutilmente de formal sutil no texto jornalístico.



Uol
15/12/2011

Tucanos se manifestamcontra livro que aponta esquema fraudulento em privatizações

 

Líderes tucanos se manifestaram nesta quinta-feira (15) em relação ao livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, lançado no final da semana passada. A publicação traz acusações relativas à gestão de Fernando Henrique Cardoso, apontando o ex-governador José Serra de receber propinas de empresários que participaram de privatizações.

Mais cedo, o ex-delegado da Polícia Federal e deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) afirmou ter conseguido assinaturas suficientes para pedir a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as denúncias. Um dos citados no livro é o banqueiro Daniel Dantas, um dos principais adversários de Protógenes e alvo da operação Satiagraha durante seu período como delegado da PF.

Em nota, FHC afirma que o autor está sendo indiciado pela Polícia Federal e que agora "fabrica 'acusações'". Amaury Ribeiro Júnior foi indiciado após envolvimento em um escândalo de tentativa de compra de um dossiê antitucano na campanha da então candidata presidencial Dilma Rousseff, em 2010.
Também o PSDB divulgou nota oficial afirmando que "o livro agora publicado tem as mesmas características de farsas anteriores". Serra já se manifestou e chamou o livro de "lixo", "coleção de calúnias" e "crime organizado fingindo ser jornalismo".


Leia a íntegra da nota de FHC:

Infâmia
A infâmia, infelizmente, tem sido parte da política partidária. Eu mesmo, junto com eminentes homens públicos do PSDB, fomos vítimas em mais de uma ocasião, a mais notória das quais foi o “Dossiê Cayman”, uma papelada forjada por falsários em Miami para dizer que possuíamos uma conta de centenas de milhões de dólares na referida ilha. Foi preciso que o FBI pusesse na cadeia os malandros que produziram a papelada para que as vozes interessadas em nos desmoralizar se calassem. Ainda nesta semana a imprensa mostrou quem fez a papelada e quem comprou o falso dossiê Cayman para usá-lo em campanhas eleitorais contra os tucanos. Esse foi o primeiro. Quem não se lembra, também, do “Dossiê dos Aloprados” e do “Dossiê de Furnas”, desmascarado nestes dias?

Na mesma tecla da infâmia, um jornalista indiciado pela Polícia Federal por haver armado outro dossiê contra o candidato do PSDB na campanha de 2010, fabrica agora “acusações”, especialmente, mas não só, contra José Serra. Na audácia de quem já tem experiência em fabricar “documentos” não se peja em atacar familiares, como o genro e a filha do alvo principal, que, sem ter culpa nenhuma no cartório, acabam por sofrer as conseqüências da calúnia organizada, inclusive na sua vida profissional.

Por estas razões, quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação. Chega de assassinatos morais de inocentes. Se dúvidas houver, e nós não temos, que se apele à Justiça, nunca à infâmia.
São Paulo, 15 de dezembro de 2011
Fernando Henrique Cardoso

Leia a íntegra da nota do PSDB:
Nota Oficial
O PSDB repudia veementemente a mais recente e leviana tentativa de atribuir irregularidades aos processos de privatização no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e acusar o Partido e os seus líderes de participar de ações criminosas.

As privatizações viabilizaram a modernização da economia brasileira, com centenas de bilhões de investimentos em serviços essenciais e a geração de milhares de empregos.

Todo o processo foi exaustivamente auditado pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal e outros órgãos de controle, e nenhuma irregularidade foi constatada.

O livro agora publicado tem as mesmas características de farsas anteriores, desmascaradas pela polícia, como a “Lista de Furnas”, o “Dossiê Cayman” e o caso dos “Aloprados”. Seu autor é um indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes, incluindo corrupção ativa e uso de documentos falsos.

Uma constante dessa fabricação de falsos dossiês tem sido a participação de membros e agentes do Partido dos Trabalhadores. Os que não se envolvem diretamente nas falsificações não têm pudor de endossá-las publicamente, protegidos, alguns deles, pela imunidade parlamentar.

A nova investida ocorre num momento em que o PT está atolado em denúncias de corrupção que já derrubaram seis ministros, e aguarda ansiosamente o julgamento do Mensalão, maior escândalo de corrupção de que se tem notícia na história do Brasil.
Serão tomadas medidas judiciais cabíveis contra o autor e os associados às calúnias desse livro.
Brasília, 15 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A imprensa brasileira e a reunião sobre o Euro: que importância tem isto?

Qualquer coisa é mais importante do que a reunião em Bruxelas para definir a sobrevivência do Euro. Pelo menos é o que deduzimos navegando pelos principais sites de notícias do Brasil.

Veja, Globo.com, Uol.
08/12/2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Elementar meu caro. Ao leitor as batatas


Nada na matéria confirma confirmar que a Fifa considera o Ministro fraco. Texto confuso e logicamente capenga, com conclusão que não tem nenhuma vinculação com as premissas


UOL
19/10/2011

Ministro diz que segue na coordenação da Copa, mas Fifa o considera cada vez mais fraco

Carlos Padeiro* 
Em Zurique (Suíça)


Enquanto se defende das acusações de propina em Brasília, o ministro do Esporte Orlando Silva Jr. é cada vez mais considerado carta fora do baralho na Fifa e no Comitê de Organização Local (COL) da Copa de 2014.
Nos bastidores em Zurique, onde nesta quinta-feira acontece a divulgação do calendário do Mundial e a provável oficialização da cidade de São Paulo como sede da abertura, ninguém fala oficialmente, mas o poder do ministro do PCdoB é bastante questionado, principalmente no que se refere à Lei Geral da Copa.
Prova disso é que, justamente durante uma semana importante para a organização do Mundial no Brasil, o ministro está distante. A entidade que comanda o futebol mundial pede mudanças em alguns pontos na legislação, mas não enxerga uma solução em Orlando Silva (ainda mais agora).

Em Brasília, ele afirmou nesta quarta que segue forte como representante do governo perante à Fifa. “Nas conversas, não é Orlando Silva que fala apenas. É o governo que fala. As entidades internacionais veem isso com naturalidade. A Fifa e o Brasil têm o mesmo objetivo em 2014: fazer uma grande Copa”, declarou, em uma comissão do Senado.
Na noite de quarta, a Casa Civil da Presidência da República emitiu uma nota em que diz que "O governo reitera que o Ministério do Esporte é o responsável pela condução das ações relativas à Copa do Mundo 2014. Qualquer avaliação diferente não encontra respaldo na realidade".
Mais cedo, o jornal O Estado de S.Paulo informou que a presidente Dilma, em viagem à África, mantém a confiança no ministro, porém reduziu momentaneamente poderes dele sobre a Copa do Mundo.
Assim, a Fifa acompanha o noticiário quente de Brasília e aguarda para conversar diretamente com Dilma, ou até mesmo a nomeação de um novo mediador. O problema é que a presidente não dá sinais de que cederá em alguns pontos que interessam à entidade que organiza a Copa.
Quem está na Suíça é o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Ele era o ministro do Esporte quando teve início o suposto escândalo de desvio de recursos divulgado pela revista Veja, no último sábado. No evento da Fifa, representará Brasília na definição do calendário. A capital federal deve receber algum jogo da seleção brasileira, conforme informou o jornal Folha de S.Paulo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Precisão matemática

Quantas pessoas tinham na marcha contra a corrupção em Brasília neste 12 de outubro? Depende do site que você acessar. Veja abaixo a Impressionante a discrepância.  No caso do Uol, Estado de São Paulo, Globo e Correio a fonte é a mesma: Polícia Militar do DF.
O que explica o fenômeno?


Uol on line
12/10/2011
Da Agência Brasil 


 A 2ª Marcha Contra a Corrupção e a Impunidade tomou a Esplanada dos Ministérios hoje (12) em Brasília. Segundo estimativas da Polícia Militar e dos organizadores ao fim da marcha, cerca de 20 mil pessoas participaram do evento em defesa do fim do voto secreto no Poder Legislativo, da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e da manutenção das atribuições do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


Veja
Luciana Marques

Marcha contra a corrupção reúne 10 mil em Brasília

Manifestantes fecharam as vias da Esplanada dos Ministérios durante três horas; grupo defende a Lei da Ficha Limpa e atuação do CNJ


A segunda marcha contra a corrupção realizada este ano em Brasília reuniu cerca de 10.000 pessoas no centro da capital, segundo estimativa da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. As vias do Eixo Monumental foram fechadas durante três horas para a passagem dos manifestantes.


Estadão
Célia Froufe

Uma mancha escura formada por cerca de 20 mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, percorreu um quilômetro de distância na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, seguindo do Museu da República até chegar à Praça dos Três Poderes, na manhã desta quarta-feira, 12.


 Globo. Com
Naiara Leão

 

Marcha contra corrupção reúne manifestantespela 2ª vez em Brasília

 

Manifestantes foram à Esplanada dos Ministérios com vassouras.
Segundo Polícia Militar, caminhada reuniu cerca de 7.000 pessoas.



 Correio Braziliense
Renata Mariz, Alana Rizzo,Jacqueline Saraiva e Júnia Gama 



 Cerca de 11 mil pessoas participaram da 2ª Marcha Contra a Corrupção e a Impunidade, segundo estimativa da Polícia Militar do Distrito Federal. Os manifestantes tomaram a Esplanada dos Ministérios em Brasília na manhã desta quarta-feira (12/10), em defesa do fim do voto secreto no Poder Legislativo, da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e da manutenção das atribuições do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Site esconde pesquisa

Quem acessou o Portal Uol hoje encontrou página modificada e uma enquete que perguntava a opinião dos internautas sobre o assunto. Resultado: mais de 60% desaprovavam a mudança.
Será que foi por isso que a enquete sumiu da página.

UOL.COM
06/10/2011

domingo, 18 de setembro de 2011

É possível fazer bem feito

Texto claro e explicativo apresenta a complexidade que envolve o resultado das escolas no ENEM. Os outros jornais, na corrida para informar, tropeçaram em julgamentos apressados.


Embora valiosa, nota do Enem esconde distorção

Para educadores, resultado do exame federal não deve ser critério único para avaliação da qualidade do ensino oferecido pelas escolas

Estadão On Line
18/09/2011
Nathalia Goulart


Nesta semana, o Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010 por escolas, uma espécie de ranking das instituições de ensino do Brasil. Pais e estudantes devem olhar as médias com certa reserva. Educadores são unânimes em afirmar que as notas obtidas pelas instituições carregam uma distorção, o que torna o resultado impreciso. Nenhum especialista, contudo, quer o fim do exame: ao contrário, eles pedem o aperfeiçoamento da aferição da qualidade do ensino naquele ciclo da educação fundamental. E afirmam que os pais devem levar outros indicadores para avaliar a instituição de ensino de seus filhos.

Como esperado, escolas particulares dominam Enem 2010
O Enem foi criado em 1998 com o objetivo de avaliar habilidades e competências dos estudantes que terminam o ensino médio – e não suas escolas. Tanto assim que a nota atrelada a cada instituição de ensino é, na verdade, uma média do desempenho obtido pelos estudantes. Ocorre que o exame é voluntário: ou seja, só os interessados o realizam.

O problema, alertam educadores, sociólogos e estatísticos, é que essa realidade distorce a média final atribuída às escolas. "Quanto menor o número de estudantes de uma escola que participam do exame, mais impreciso é o registro que o Enem proporciona", diz Celso Vasconcelos, especialista em educação e avaliação educacional.

Antes de ser um problema de educação, é uma questão matemática. Uma vez que nem todos os estudantes comparecem à prova, obter uma média fiel ao desempenho daquele grupo escolar só seria possível se uma amostragem representativa dos alunos fosse levada à avaliação. Na prática, isso equivale a dizer o seguinte: teriam de ser respeitadas proporções de gênero, idade, desempenho e assim por diante. Se 70% dos alunos de uma instituição com 1.000 estudantes são mulheres e apenas 10 vão ao Enem, 7 deles teriam obrigatoriamente de ser meninas. Isso, é claro, nunca acontece.

"O grupo de alunos escolhidos para a prova deveria representar perfeitamente o conjunto de toda a escola", diz Glaura Franco, professora de estatística da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Seriam necessários estudos prévios para determinar quem deveria fazer o exame." No Enem 2010, menos de 3% das instituições registraram participação integral de seus alunos. Apenas elas, portanto, obtiveram uma avaliação livre de distorções.

Baixa frequência – Várias razões explicam as gritantes diferenças de participação entre as instituições. Uma delas é o fato de o Enem ter se transformado em uma porta de entrada para as disputadíssimas universidades públicas, alvo dos estudantes das melhores escolas do país – as privadas, em geral. Em média, 70,4% dos estudantes dessas instituições compareceram ao exame. Entre as unidades públicas, a taxa foi de 38,07%. A primeira supera a segunda em 85%.

Em São Paulo, o fenômeno se repetiu. Em 2010, o estado registrou participação inferior a seus vizinhos Rio de Janeiro e Minas Gerais: 44% ante 49% e 51%, respectivamente. A razão, porém, é outra: as duas maiores universidades locais – USP e Unicamp – ignoraram a nota do Enem em seus processos de seleção. "Isso afastou estudantes paulistas do Enem, o que, certamente, influenciou o desempenho das escolas", diz o sociólogo Simon Schwartzman. "É preciso estar atento a essas imperfeições do sistema de médias."

Educadores apontam ainda outro fator a ser considerado: o Enem se tornou um selo de qualidade para as escolas privadas. Essas instituições exibem suas médias altas como um diferencial de mercado. "Algumas escolas selecionam seus melhores alunos para o exame; outras incentivam os que têm mais dificuldade a não se inscrever", diz Vasconcelos.

A distorção nas médias do Enem existe, mas é difícil precisar seu grau: sabe-se, porém, que ela é diretamente proporcional ao nível de abstenção dos alunos de uma dada instituição na prova. Ou seja: quanto menor a presença deles na avaliação, maior a imprecisão do resultado. O certo é que a situação é mais aguda entre as escolas públicas, justamente as mais carentes de aprimoramento. Em cerca de um terço delas, a participação dos alunos na prova federal foi inferior a 25%. "Diante desse cenário, é difícil afirmar que a média obtida por essas instituições reflete com rigor a qualidade da educação que elas oferecem", afirma Gisele Gama Andrade, especialista em avaliação educacional.

O MEC já revelou que estuda alterações na prova. Logo após a publicação dos resultados do Enem 2010, o ministro Fernando Haddad defendeu que o exame se torne compulsório aos concluintes do ensino médio. Os educadores apoiam. "Se a medida for adotada, teremos um retrato mais fiel da qualidade das escolas de ensino médio", diz Gisela Gama. Ilona Becskeházy, diretora-executiva da Fundação Lemann, vai além: "Mais do que uma avaliação das escolas, o resultado serviria como boletim de certificação para estudantes."

O exame, porém, não deveria ser tomado como avaliação única da qualidade das escolas, seja por pais, seja por educadores. Outra avaliação que ajuda a compreender a situação das instituições é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), medição consagrada que tem subsidiado políticas de governo. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do MEC e em taxas de aprovação reveladas pelo Censo Escolar.


Os especialistas acrescentam que os pais não devem abandonar a antiga prática de investigar por conta própria as escolas de seus filhos. O perfil da instituição, a opção pedagógica e a formação do corpo docente continuam sendo fundamentais. "Veja se há incentivo a leitura, converse com a direção e com outros pais", diz Ilona. Em suma, o Enem é apenas parte da lição de casa.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A gente erra, a gente apaga.

Uol Notícia
08/09/2011

Voltei ao link e descobri que a informação sobre a suposta morte da adolescente no morro do alemão na noite do dia 06 havia desaparecido. Procurei no link para as matérias relacionadas e nada.
Jornalismo de qualidade é assim. A gente erra, agente apaga.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/09/07/exercito-remove-ultimas-barricadas-no-complexo-do-alemao.jhtm

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Bala perdida, imprensa perdida

Quando o assunto é complexo os jornalistas não conseguem explicá-lo; mas pior do que é isto é uma imprensa que não apura os fatos. Afinal de contas morreu uma adolescente de 15 anos na noite de terça-feira no Morro do Alemão? Para o Uol Notícias, sim.  Para o exército não. A fonte da informação do Uol é o depoimento de moradora.

Uol Notícias
07/09/2011
Hanrrikson de Andrade


Os moradores que tentam entrar nas comunidades do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, continuam sendo revistados pelos militares da Força de Pacificação, principalmente os que conduzem carros e motocicletas. No início da noite de terça, um tiroteio de quase duas horas entre soldados e criminosos assustou a população da região, que foi obrigada a se trancar em casa.

Uma adolescente de 15 anos morreu após ser atingida na cabeça por uma bala perdida, e um homem foi ferido por estilhaços de uma granada.

(...)

A polícia investiga se o confronto de ontem foi provocado por traficantes da facção Comando Vermelho (CV) que conseguiram fugir durante o processo de pacificação, no fim do ano passado. Eles teriam invadido as comunidades da Baiana e do Adeus, no Complexo do Alemão, a fim de retomar o controle nesta localidade.

Segundo informações passadas por moradores, homens armados possivelmente com fuzis estavam no alto da favela efetuando disparos contra os militares. Segundo V., que mora na favela da Grota, um grupo de pessoas atirou fogos de artifício contra um pelotão de soldados que circulava próximo à comunidade.

"O pessoal está comentando que o cara jogou e saiu correndo. Os soldados começaram a atirar e depois foi tiro para tudo quanto é lado. Algum bandido deve ter arma escondida em casa", disse uma pessoa, sob condição de anonimato.


Alguns minutos após o início do tiroteio, moradores relataram barulho de explosões de bombas na estrada do Itararé. Fogos de artifício foram lançados à medida que os pelotões do Exército subiam pelas ruas das comunidades (uma tradicional estratégia dos traficantes para alertar sobre a entrada da polícia). Mais cedo, um carro de transporte de soldados foi atacado com tiros e granadas no mesmo local.

 

De acordo com Carla Lúcia da Silva, a sua sobrinha Ana Lúcia da Silva, 15, foi levada ainda com vida para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Penha, na zona norte do Rio, após ser atingida na cabeça por uma bala perdida. No entanto, a adolescente não resistiu e teve morte cerebral decretada.


G1_ RJ
07/09/2011
Lilian Quaino
Ataque ao Alemão foi articulado por traficantes de fora, diz Exército

O comandante Militar do Leste afirmou que os confrontos no Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, foram articulados por traficantes que estão em outras favelas e que querem voltar a dominar a área. "Tenho certeza de que esse primeiro ataque no Alemão foi articulado por grupos em outras comunidades não pacificadas que estão querendo voltar ao Alemão", afirmou o general Adriano Pereira Junior, no início da tarde desta quarta-feira (7). Ele disse ainda estar investigando suspeitas de que um traficante foragido da Vila Cruzeiro poderia estar por trás da ação.  

Após o desfile de sete de setembro, realizado pela manhã no Centro do Rio, o comandante Militar do Leste,  o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, e a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, participaram de uma coletiva de imprensa para falar sobre os confrontos no Alemão.

Já Beltrame afirmou que traficantes tiveram acesso ao Alemão pela Vila Cruzeiro. "Tenho informação de que um pequeno grupo de traficantes entrou no Alemão pela Vila Cruzeiro, de carro, desencadeando os fatos", disse o secretário de Segurança Pública, acrescentando que "nada vai ser consertado de uma hora pra outra depois de 30, 40 anos de abandono".

De acordo com o general, esse foi o primeiro problema desde a ocupação da Força de Pacificação, em novembro. "Isso foi uma reação ao anúncio do Exército de prolongar sua permanência no local. Em dez meses de ocupação, houve em torno de quatro mil a cinco mil abordagens e só teve problema em uma".

Para o comandante, os tiros da noite de terça-feira (6) não foram disparados de dentro da área de atuação da Força de Pacificação. "Alemão e Penha não têm armas pesadas. Os tiros vieram do Morro do Adeus e da Baiana", afirmou o general Adriano Pereira Junior sobre os morros que passaram a ser ocupados pela Polícia Militar.

 (...)
O Teleférico do Alemão passa por uma inspeção para verificar se foi atingido durante o tiroteio iniciado na noite de terça-feira (6). Segundo a SuperVia, ele não funcionaria nesta quarta-feira por causa do feriado.

Exército nega morte de jovem por bala perdida
O general Adriano Pereira Junior negou que uma menina de 15 anos tenha morrido, após ser atingida por bala perdida. "Não passou de uma armadilha do tráfico", garantiu o comandante, acrescentando que os policiais procuraram pela suposta vítima em todos os hospitais da região e nada encontraram.


Estadão
07/09/2011
Glauber Gonçalves 
Após tiroteio, Exército vai enviar mais 200 homens ao Complexo do Alemão

(...)
A informação dada por uma moradora de que a sobrinha dela teria sido morta por uma bala perdida foi contestada pelo general. "Passamos a noite com nossa inteligência procurando em todos os hospitais. Isso foi uma coisa plantada para piorar o clima", disse. Ele declarou ainda que é improvável que uma ação como a de ontem se repita. "Dificilmente vai voltar a acontecer o que ocorreu ontem. Foi um tiro no pé do tráfico Ficou claro para a população que houve uma orquestração. O tráfico não quer a nossa presença lá", disse.

O general admitiu que o Exército respondeu aos disparos feitos pelos traficantes com armamento pesado. Ele também confirmou que ainda há tráfico na região e que traficantes de fora eventualmente circulam na área. "Existe tráfico lá dentro. Não há paz completa", disse. O comandante afirmou ainda que o Exército vai voltar a ser mais rigoroso nas revistas, mas prometeu respeito aos moradores da localidade. "Vamos voltar a fazer mais revistas nas pessoas que pelas atitudes indicarem que estão fazendo algo errado", declarou.