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domingo, 4 de março de 2012

A lei e o combate ao criem. A reforma penal segundo a Veja.

A leitura enviesada da Veja a respeito da reforma do Código Penal. De um lado os mocinhos: Demóstenes Torres e Pedro Taques; do outros os vilões. O problema é a premissa do jornalista: Leis mais rigorosas combate o crime com eficácia. Impressionante a insistência da mídia em se manter preso a esta teses. Foi assim na criação da lei contra crimes hediondos, assim na lei contra a falsificação de remédios. 

Veja

04/03/2012

Gabriel Castro

Código Penal: os riscos de uma mudança necessária

Perto de completar 72 anos, o Código Penal brasileiro está em fase de revisão. Um grupo de 16 juristas convocados pelo Senado devem concluir em maio a elaboração de uma proposta para o novo texto. A comissão é presidida por Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça. Quando o colegiado encerrar seus trabalhos, começa o dos senadores. A mudança na legislação pode passar por temas controversos. E a discussão carrega um risco: o de tornar a legislação ainda mais liberal do que a atual – que já não combate o crime com eficácia.
O texto redigido pelos juristas ainda está em elaboração, mas as linhas gerais estão traçadas. As sugestões podem ser divididas em três eixos principais: modernização da lei, incentivo às penas alternativas e maior rigor no regime de progressão das penas. A primeira parte inclui tipificação de novos crimes. É o caso do terrorismo. Ao mesmo tempo, toca em pontos historicamente controversos, como a liberação da ortotanásia, a criminalização da chamada homofobia e a ampliação dos casos em que o aborto é permitido.
controversos, como a liberação da ortotanásia, a criminalização da chamada homofobia e a ampliação dos casos em que o aborto é permitido.
O mais provável é que, a partir de maio, a discussão sobre o Código Penal force o Congresso a debater três temas explosivos de uma só vez. A ortotanásia (interrupção do tratamento médico de um paciente sem chances de recuperação) nunca havia chegado à pauta do Parlamento. A tipificação do crime de homofobia já causa um acirrado debate envolvendo lideranças religiosas, que se dizem tolhidas.
No caso do aborto, a ideia dos juristas é permitir que a interrupção da gravidez seja autorizada, por exemplo, quando o bebê tiver um tipo grave de má-formação. Além disso, a prática pode ser liberada quando houver risco para a saúde da mãe, mesmo que não haja perigo de morte. Hoje, o aborto só é permitido em casos de estupro e risco de vida para a mãe.
O segundo eixo do texto elaborado pelos juristas trata da redução de benefícios. Entre eles, a prisão aberta, que permite a condenados viver livremente fora da cadeia e, na prática, sem qualquer monitoramento. Outra proposta é aumentar o tempo necessário para a obtenção da progressão da pena: de um sexto para um terço em crimes comuns. Em crimes hediondos, o benefício só seria obtido com metade da pena (hoje, bastam dois quintos).
O terceiro eixo é o aumento da aplicação de penas alternativas. A ideia é ir além do pagamento de cestas básicas, que mal funciona como punição. O objetivo é tornar essas medidas mais coerentes com o crime praticado e deixar a pena de encarceramento para os criminosos mais perigosos. "Nós precisamos fazer uma lipoaspiração no Código Penal", diz Pedro Taques (PDT-MT), um dos relatores da proposta no Senado.
Mais rigor - Tornar o código mais objetivo e eficiente é uma missão essencial. Mas, ao priorizar esse aspecto, os parlamentares podem perder uma oportunidade rara: a de aumentar as brandas penas previstas para alguns crimes. Aqui, um assassino pode pegar de 6 a 20 anos de cadeia. Na Argentina, por exemplo, um homicídio rende de 8 a 25 anos. Na Suécia, a pena mínima é de 10 anos. Na Venezuela, de 12. No Canadá, não há pena mínima e o castigo máximo é a prisão perpétua. Nos Estados Unidos, a punição pode chegar à pena de morte.

Fora uma proposta do senador Pedro Taques, que pretende criar uma pena de até 40 anos para condenados por desaparecimento de pessoas (como integrantes de grupos de extermínio que somem com os corpos das vítimas), praticamente não há sugestões de aumento das penas. Os parlamentares também não podem perder a chance de aumentar o rigor sobre a reincidência, para evitar os esdrúxulos episódios em que presos com uma ficha quilométrica continuam soltos e atuando no mundo do crime.
É possível que, no saldo final, a lei saia mais branda do que a atual. Um risco do qual o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) está ciente. Assim como Pedro Taques, o democrata é promotor de Justiça e diz que o Congresso não pode amenizar o peso da legislação. "Acho que seria temerário. A adoção de penas baixas, que é um caminho do direito moderno no Brasil, acaba sendo um atraso em relação ao mundo", diz o democrata. Ele garante: "O Pedro Taques, eu e outros senadores estamos afinados: o que sair da comissão de juristas e for na linha do abrandamento, nós vamos modificar".
Mas há um obstáculo. O governo petista e seus aliados no Congresso são uma poderosa força no sentido oposto: de forma geral, a bancada do PT é contra a redução da maioridade penal, pelo fim da pena a usuários de drogas e a favor do aborto. A Câmara dos Deputados também discute alterações no Código Penal. Escolhido relator do texto, o petista Alessandro Molon (RJ) adota por ora um discurso pragmático: "As questões polêmicas podem impedir que a reforma avance”, acredita. “Vamos optar por uma reforma pé no chão".
A discussão deve ganhar força no fim do primeiro semestre. Mas, com as eleições municipais, o debate pode acabar se estendendo para 2013.
Obsolescência - O texto do Código Penal brasileiro é de 1940, quando o país vivia o governo autoritário de Getúlio Vargas. A legislação não faz qualquer referência a crimes eletrônicos, por exemplo. E, como foi alterado diversas vezes ao longo das décadas, o texto traz incongruências: a pena por falsificação de cosméticos, por exemplo, é maior do que a punição por formação de quadrilha.

domingo, 29 de janeiro de 2012

"Copia a primeira imagem dela e cola na matéria."

Atriz despenca de cabo de aço durante apresentação de musical e a Veja ilustra a matéria com foto dela votando.

 

Veja

29/01/2012

 

Danielle Winits e Thiago Fragoso sofrem acidente durante apresentação do musical 'Xanadu'



 

Os atores Danielle Winits e Thiago Fragoso sofreram um acidente na noite deste sábado, no Teatro Casagrande, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, durante uma apresentação da versão brasileira do musical ‘Xanadu’, dirigido por Miguel Falabella. Os protagonistas da peça despencaram de uma altura de cerca de cinco metros, após o rompimento de um cabo de aço. Danielle, que sofreu um corte na boca, foi atendida na Clínica São Vicente, na Gávea, e passa bem. Já Fragoso sofreu traumatismo na região abdominal e foi levado ao Hospital Miguel Couto, também na Gávea. Como havia suspeita de uma fratura na costela, foi encaminhado para a Casa de Saúde São José, no Humaitá, e está em observação.


Na hora do acidente, os atores estavam suspensos sobre a plateia. Como o teatro não estava lotado, eles caíram em assentos vazios – entre as filas E e F – sem causar ferimentos ao público. Os patins que os atores usam em cena se soltaram dos pés deles e acabaram caindo perto dos espectadores, mas também não causaram danos. Policiais da 14º DP (Leblon), que fica em frente ao Casagrande, foram chamados para fazer o registro de ocorrência. Mais tarde a perícia foi encaminhada para o local para investigar o acidente. Segundo a assessoria de imprensa do espetáculo, as apresentações foram suspensas por tempo indeterminado.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Procurador cearense e Veja, um caso de amor.

Procurador ajuda a revista Veja requentar notícia velha. A obsessão do procurado Oscar Dias do MP cearense em relação ao ENEM deveria ser analisada à luz da psicanálise. 


Veja

25.01.12

PF apura se vazamento do Enem é maior do que admitido

A Polícia Federal (PF) confirmou nesta quarta-feira que requereu ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) acesso a 30 cadernos de questões usadas no pré-teste do Enem em 2010. Até agora, apenas dois cadernos foram tornados públicos – eles continham as 14 questões vazadas pelo Colégio Christus, de Fortaleza, antes da realização da prova de outubro de 2011.

O pedido da PF atende a uma requisição do Ministério Público Federal no Ceará. Além de ver os cadernos, o procurador da República Oscar Costa Filho quer saber a quantidade de questões presentes no banco de itens do Enem – cerca de 6.000, segundo disse certa vez o ex-ministro da Educação Fernando Haddad – e a data em que cada uma delas foi testada.

A suspeita do procurador é que o vazamento de questões é maior do que o admitido até agora pelo Ministério da Educação. Ou seja, testes presentes nos 30 cadernos ainda mantidos sob sigilo pelo MEC também poderiam ter sido vazados antes da realização da avaliação.


Novela – Até agora, o MEC admite apenas o vazamento das 14 questões. Presentes na edição de 2010 do pré-teste – exame que "calibra" questões para a avaliação federal –, os testes foram distribuídos a estudantes do Colégio Christus e do cursinho pré-vestibular dias antes da realização do Enem 2011. Inicialmente, o MEC cancelou apenas os testes das provas do alunos do colégio, reconhecendo somente depois que o vazamento havia beneficiado também os participantes do cursinho.

Até agora, a investigação da PF levou ao indiciamento de dois funcionários do Colégio Christus, apontados como responsáveis pelo vazamento. A investigação revelou também falhas na realização do pré-teste de Fortaleza: os fiscais da prova foram contratados pelo Christus, o que contraria determinação do Inep e, portanto, do MEC. 


domingo, 22 de janeiro de 2012

Sim, a Veja passou dos limites

A capa da Veja desta semana desceu a nível deplorável. A pergunta da capa expõe um ato falho revelador.

 

Veja

21.01.12



sábado, 7 de janeiro de 2012

O vôo cego a procura de alvo na esplanada

Numa matéria sem pé nem cabeça, jornalista da Veja critica o comportamento do ministro da ciência e tecnologia, Aloizio Mercadante. Segundo Lucia Marques o ministro se finge de morto para não se manifestar a respeito das chuvas na região sudeste. Como assim, se ela mesmo informa que Mercadante deu entrevista em Pernambuco e falou “para jornalistas locais” sobre a situação das chuvas e os investimentos feitos no estado?

Veja.com

07/01/2012

Luciana Marques

Aloizio Mercadante já não é mais o mesmo

Chama atenção o silêncio do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, sobre as chuvas que atingem o Sudeste e causam estragos e mortes desde o início do ano. Mesmo sendo um dos poucos auxiliares da presidente Dilma Rousseff que seguiu no batente em janeiro, ele não se dispôs a dar explicações, em Brasília, sobre as ações do governo para minimizar o efeito dos temporais.
Há um ano, foi com entusiasmo que o ministro anunciou que o governo criaria um sistema de prevenção a desastres naturais, em meio à tragédia na região Serrana do Rio. Chuvas e prevenção, lembre-se, são atribuições da pasta de Mercadante, em conjunto com os ministérios das Cidades e da Integração Nacional.
Ano passado, o ministro não perdeu a chance de dar explicações sobre assuntos de sua pasta. Convocou coletiva de imprensa até para acalmar a população brasileira sobre os programas nucleares do país, diante do acidente nuclear de Fukushima no Japão em março. 
Com um pé no Ministério da Educação, Mercadante parece estar com o pensamento longe da Ciência e Tecnologia. Em meio ao anúncio de compra de pluviômetros durante o programa Bom Dia, ministro, desta quinta-feira, ele deixou escapar: “Vamos aguardar a reforma ministerial, mas eu prometo para você que, se isso acontecer, e é possível que aconteça, estarei aqui à disposição e podemos discutir a pasta da Educação.” 

Se não quer exposição pública, pelo menos nos bastidores o ministro tem atuado. No domingo ligou para o governador mineiro Antonio Anastasia para alertar sobre as chuvas e a necessidade de se acionar a Defesa Civil. Curiosamente, o ministro está desde quinta-feira em Pernambuco, estado do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra.
Aos jornalistas locais, o ministro chegou a comentar a situação das chuvas e até elogiou os investimentos no estado para prevenção de desastres. Mercadante visita nesta sexta-feira instalações de um Centro de Informática no Recife. Já Bezerra, sob suspeição após ter beneficiado Pernambuco na distribuição de verbas federais antienchente, vai a Minas Gerais tratar de chuvas. 

Entre os nomes ventilados para substituir Mercadante estão os do ex-deputado Ciro Gomes (PSB), da senadora Marta Suplicy (PT-SP) e do deputado federal Newton Lima (PT-SP), além do nome do  secretário-executivo da pasta, Luiz Antonio Rodrigues Elias.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Veja e a opção recorrente pela má-fé.

Título da matéria da Veja sobre as compras feitas pela Marinha para a casa onde a Presidente Dilma passará férias não é zelo pela coisa pública, é maledicência.

Veja
27/12/2011

O custo da pisadela no mar de Dilma: R$ 657,9 mil

Após o tsunami de denúncias de corrupção em seu governo, a presidente Dilma Rousseff teve no início dessa semana um momento de refresco. Ergueu o vestido e molhou os pés nas águas calmas da Praia de Inema, na Base Naval de Aratu, na Bahia. De férias, a presidente só volta ao trabalho em 10 de janeiro. Levou consigo quase que uma comitiva: a filha, Paula, o neto, Gabriel, o genro, Rafael Covolo, a mãe, Dilma Jane, o ex-marido, Carlos Araújo, a atual esposa dele e uma tia.

Antes de receber a presidente, a Marinha caprichou nos preparativos e gastou nada menos que 657 900 reais com móveis, eletroeletrônicos e obras de reforma da residência funcional da Boca do Rio, onde se hospedam as autoridades em visita à base. O valor foi desembolsado entre os dias 21 de novembro e 10 de dezembro, em cinco pagamentos, de acordo com levantamento divulgado nesta terça-feira pela ONG Contas Abertas.

Com móveis, tapetes, cortinas e eletroeletrônicos foram gastos 425 200 reais. As notas de empenho emitidas pela Marinha informam detalhes sobre o valor de todos os itens, exceto os tapetes. Entre as compras estão, por exemplo, um frigobar com capacidade de armazenagem de 76 litros no valor de 4 900 reais, um espelho tamanho 2,5 x 2,5 metros ao custo de 6 000 reais e duas poltronas no valor total de 6 700 reais.

Foram compradas ainda oito televisões, sete aparelhos de DVD, um home theater e um computador, no valor total de 19 500 reais. Em outro empenho, a Marinha gastou só com cortinas nada menos que 37 300 reais. As obras de reforma custaram 195 400 reais.

A Marinha informou que os gastos estavam previstos desde 2010, quando começou a reforma, e que não foram feitos exclusivamente para receber Dilma. A presidente, por sua vez, tem se mostrado uma visitante discreta da Praia da Inema. Ao menos mais discreta que o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Na passagem de ano de 2009 para 2010 Lula foi com a família para a Base Naval e desfilou pela areia de sunga e equilibrando um isopor na cabeça.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A imprensa e o tiro no carro de Adriano

É interessante comparar as matérias jornalísticas sobre o tiro no carro do jogador Adriano. Ao contrário do Globo.com, do Estadão e do UOL, a Veja expõe as contradições na versão do jogador. 

Veja
26/12/2011
Cecília Ritto



Adriano diz que não conhecia mulher que levoutiro em seu carro

O jogador Adriano acrescentou vários detalhes à sua versão da confusão em que se envolveu no sábado, quando uma mulher foi baleada em seu carro. Ao chegar à 16ª DP (Barra da Tijuca) para seu segundo depoimento, ele disse aos jornalistas que só conhecia duas das quatro mulheres que estava levando para casa depois de uma noitada em uma boate da Barra. Segundo o jogador, ele é amigo de Andreia Ximenes e Daniele Pena, mas nunca tinha visto Adriene Cyrillo Pinto nem Viviane Fraga. As duas estariam em seu BMW a pedido de um amigo que as conheceu naquela noite.
A história continua cheia de lacunas e contradições. O amigo, de nome não revelado, estaria em um outro carro, sozinho, enquanto as quatro moças se espremiam no banco de trás do carro de Adriano. Fazendo-se de vítima, o jogador disse que Júlio Cesar Barros, o policial militar reformado que dirigia o carro é seu amigo, não seu segurança. E reafirmou que não pegou na arma. Segundo ele, Adriene foi movida pela curiosidade ao pegar a pistola de Barros, que estava entre o banco do motorista e o console. “Os exames vão demonstrar quem está falando a verdade”, disse, acrescentando que não vai pagar as despesas de Adriane, que passará por uma cirurgia nesta terça-feira, porque “ela não tem caráter para falar a verdade”. Depois, reclamou: “Quando acontece com o Adriano, tudo tem muita repercussão”.
O delegado Fernando Reis, da 16ª DP, confirmou para quarta-feira a acareação entre Adriano e Adriene. E disse que considera mais plausível que Adriano estivesse realmente no banco da frente, como afirma o jogador. Mais cedo, o delegado disse que o resultado preliminar da perícia indica que o tiro foi disparado no banco de trás. Segundo Reis, quem estiver mentindo nessa história será punido. Adriene, por denunciação caluniosa, crime com pena prevista de dois a oito anos. Adriano, por lesão corporal (três meses a um ano de prisão) e fraude processual (seis meses a seis anos). Nesse caso, o PM que dirigia o carro e as outras moças, responderão por falso testemunho. “Estamos apenas no início das investigações”, disse Reis.
Sobre seu contrato com o Corinthians, Adriano disse estar tranquilo. "O Corintians me garantiu que continuo", afirmou. O jogador disse que vai se apresentar no dia 4 de janeiro.

UOL.Com
26/12/2011
Luiz Maurício Monteiro

Adriano confirma sua versão eafirma: "Não é justo o que ela está fazendo comigo"


O jogador Adriano foi, nesta segunda-feira, à 16ª DP do Rio de Janeiro, onde conversou com as autoridades policiais que investigam o disparo acidental de uma pistola ocorrido no interior do carro do atleta na madrugada do dia 24. A estudante Adriene Pinto, que estava no carro com Adriano e mais quatro pessoas, teve o dedo indicador esquerdo atingido pelo projétil e está internada no Hospital Barra D´Or, onde passará por cirurgia na terça-feira.
Antes do encontro com os policiais, Adriano conversou com os jornalistas. Ele reafirmou a sua versão sobre o ocorrido, de que a própria Adriene teria disparado acidentalmente a arma, que pertence ao segurança do jogador, também presente no automóvel durante o episódio. Já a vítima do disparo afirma que teria sido o corintiano quem atirou.
O atleta disse que estava disposto a pagar as despesas hospitalares de Adriene, mas que mudou de ideia, pois a jovem de 20 anos estaria tentando prejudica-lo: “Eu ia pagar (despesas do hospital), mas como ela está fazendo essas acusações, não vejo necessidade. Não é justo o que ela está fazendo comigo. Então, não tem por que ajudar. Apesar de tudo, espero que ela se recupere bem”, afirmou Adriano, que foi convencido pelo delegado responsável pelo caso a conceder uma entrevista coletiva.
O jogador também relatou como os fatos aconteceram, de acordo com a sua versão. “A arma estava no veículo. Ela, de curiosa, pegou e disparou. A arma estava entre o banco do motorista e o console. Eu ouvi o disparo e abaixei. Todos se assustaram. Com certeza ela pegou a arma, porque não dispararia sozinha. A princípio, eu nem tinha visto o dedo dela machucado. Só depois vi. Foi aí que eu tirei a camisa e dei para ela enrolar na mão”.
Adriano disse que conheceu Adriene na noite em que o incidente aconteceu, na casa noturna onde estava. “Eu não a conhecia. Eu estava saindo da boate, e um amigo pediu para eu levá-la porque o carro dele já estava cheio. Não caberia mais de seis pessoas. Ele a conheceu na boate e chamou para o nosso camarote. Mas eu nunca tinha visto ela”, afirmou.
Sobre o reflexo que o caso poderá ter em sua carreira, o jogador disse estar tranquilo. “Conversei com presidente (do Corinthians, Roberto de Andrade). Não existe nada em relação a quebra de contrato. Quando as coisas acontecem comigo ganham uma proporção maior. Eu estava evitando sair, mas as vezes é difícil, estava de férias”, admitiu.
Também nesta segunda, o delegado Fernando Reis, que investiga o caso, disse que ainda não é possivel afirmar quem foi o autor do disparo. "Estamos muito no início da investigação. Ontem e hoje (dias 25 e 26/12) tentamos levantar o maior números de dados possível, mas ainda é cedo para chegar à alguma conclusão".
No domingo, o delegado disse que pretende colocar frente a frente Adriene e o jogador, para que os dois contem suas versões sobre o ocorrido". A acareação só poderá ocorrer, no entanto, após a cirurgia de Adriene, agendada para terça-feira.
Segundo informaram ao UOL Esporte funcionários do Barra D´Or, a vítima chegara ao hospital dizendo que não sabia quem havia disparado a arma. Posteriormente, porém, a estudante teria alterado sua versão, afirmando a policiais que Adriano atirara acidentalmente com a pistola.

Globo.com
26/12/2011
Fred Gomes

Adrianochega sorrindo na delegacia e diz que sua inocência será provada


O atacante Adriano, do Corinthians, chegou à 16ª DP, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, no fim da tarde desta segunda-feira para prestar depoimento. O jogador chegou sorrindo e conversou com a imprensa em uma sala apertada. Ele confirmou sua versão de que não foi o autor do disparo e que os exames para detectar a presença de pólvora na mão irão confirmar que ele está dizendo a verdade.
- A arma estava entre os bancos. Ela pegou e disparou acidentalmente. Depois do barulho, nos abaixamos. No momento, ela não sentiu nada. Mas com certeza pegou a arma. Os exames vão sair e será comprovado que não estou mentindo. Cabe a vocês acreditarem ou não. Quando as coisas acontecem com o Adriano, a repercussão é sempre maior.

Adriano contou que no sábado foi a primeira vez que viu Adriene Cyrillo Pinto, apresentada a ele por um amigo que estava na casa noturna. O jogador afirmou que não vai mais pagar pelo tratamento da jovem, ao contrário do que disse anteriormente.

- Conheci ela a partir de um amigo que estava na boate. Foi a primeira vez que a vi. O que ela está fazendo não é justo, não tem caráter. Eu ia ajudar, visitar e pagar o tratamento, mas não farei mais. Não tem cabimento fazer isso para uma pessoa que está fazendo isso comigo. Tirei até a minha camisa para ajudá-la. Sou uma pessoa pública, fiquei preocupado com ela e com minha imagem. Mas não vou tentar prejudicar ela, espero que se recupere.
O jogador comentou também sobre o Corinthians. Ele disse que o clube está dando apoio.
- Não falaram nada em rescindir o meu contrato. O Corinthians sempre me deu apoio

Depois de dar entrevista, Adriano seguiu para seu depoimento. O delegado Fernando Reis contou que Adriene está envolvida em outros processos - como vítima - e alertou sobre a pena no caso de ela estar mentindo.

- Ela diz que o Adriano passou a arma para ela, e ele diz que ela pegou. Se for provado que é mentira dela, configura-se denúncia caluniosa, o que é sério. Então ela pense duas vezes, porque a pena é de dois a oito anos de prisão - avisou.

A acareação entre o jogador e Adriene será feita provavelmente na quarta-feira, mas ainda há a dependência de a jovem ter alta médica.
A versão do Imperador sobre o ocorrido foi confirmada por outras três testemunhas. A perícia já concluiu que o tiro foi dado do banco traseiro. A arma pertence ao PM reformado Júlio César Barros, amigo de Adriano, que dirigia o veículo. Segundo Fernando Reis, Júlio César foi negligente e terá de responder por isso. Outros amigos do Imperador contaram ao GLOBOESPORTE.COM que o atleta se preocupou em não ocultar provas.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A imprensa brasileira e a reunião sobre o Euro: que importância tem isto?

Qualquer coisa é mais importante do que a reunião em Bruxelas para definir a sobrevivência do Euro. Pelo menos é o que deduzimos navegando pelos principais sites de notícias do Brasil.

Veja, Globo.com, Uol.
08/12/2011

Mais do que uma manchete, um desejo.

Título de reportagem da VEJA revela o desejo da revista de derrubar mais um ministro. O que importa não são os fatos, mas a denúncia e a queda.

VEJA
08/12/2011

Não será fácil tirar Pimentel da cadeira de ministro

Luciana Marques


O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, parece mesmo estar sendo blindado pelo Planalto. Envolto em uma crise por suspeita de tráfico de influência em contratos com a prefeitura de Belo Horizonte, ele segue agenda normalmente e até viajará para Buenos Aires na comitiva presidencial nesta sexta-feira. Amigo de Dilma há mais de quarenta anos, o ministro faz parte da cota pessoal de indicações da presidente para cargos do governo. E não será tão fácil tirá-lo da cadeira de ministro. 



Para um interlocutor do Planalto, a saída dele está fora de cogitação até agora. “A batata não está no forno”, disse. “Ele está tocando a vida, cuidando da sua defesa.” Ao menos essa é a recomendação da presidente Dilma. Ao contrário do que aconteceu com os ministros demitidos neste ano, que tiveram de dar explicações ao Congresso, o Panalto articulou para que a base aliada derrubasse a convocação de Pimentel na Câmara. O governo não quer que o ministro fique exposto demais em um depoimento, o que poderia dar munição aos oposicionistas.  



Conduta - Os petistas também se esforçam em dar declarações favoráveis a Pimentel a fim de dar credibilidade à imagem do ministro. Até um antigo desafeto de Pimentel, o presidente do PT, Rui Falcão, resolveu defendê-lo nesta quinta-feira. “Pela história de vida e conduta pública, ele está livre de qualquer suspeita”, disse.  Para Falcão, o ministro deu explicações satisfatórias no caso e deve seguir no governo. Pimentel e o presidente do PT disputaram espaço na comunicação da campanha de Dilma e tiveram um desentendimento. Eles não são próximos -- o ministro, por exemplo, não conversou com Falcão sobre as denúncias. 



Ainda que alguns petistas neguem publicamente, pesa contra Pimentel a semelhança do seu caso com o do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci. Apesar da confiança e da proximidade que tinha com a presidente Dilma, ele foi o primeiro ministro a deixar o governo por não se sustentar politicamente.

sábado, 19 de novembro de 2011

O silêncio dos (não) inocentes.

Nos últimos dias a Veja se limitou a reproduzir as Notas da Chevron sobre o vazamento de óleo em Campos e agora acusa as autoridades por não se preocuparem com os impactos ambientais. Porém, o mais revelador no texto é a frase “Pouco se falou dos danos causados ao meio ambiente.” 

14/11

15/11

17/11
Chevron anuncia redução devazamento de óleo no Atlântico


Veja
19/11/2011
Carolina Guerra

Vazamento da Chevron completa 10 dias em meio a dúvidas

Há informações desencontradas sobre a extensão da mancha de óleo. Pouco se sabe ainda sobre o tamanho do impacto ambiental provocado pelo acidente



O vazamento de petróleo em uma área de exploração da Chevron na Bacia de Campos completou dez dias com muitas informações desencontradas e nenhuma preocupação das autoridades em medir os impactos ambientais.
O ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc sobrevoou nesta sexta-feira o local exato do vazamento, a 120 quilômetros da costa,  e diz ter visto 'borbulhas no mar', que indicariam que o problema ainda não foi solucionado. A petrolífera americana afirma que o volume despejado no oceano diminui bastante e, agora, trata-se apenas de 'gotejamentos ocasionais'.


Há divergência também sobre a extensão atual da mancha de óleo, que chegou a atingir 160 quilômetros quadrados. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) diz que a área afetada é de 12 quilômetros quadrados. A medição da Chevron indica 1,8 quilômetro quadrado. Minc avalia que a dimensão é 'muito maior' do que foi informado. 


Pouco se falou dos danos causados ao meio ambiente. Um cruzamento do dados realizado pela ong Greenpeace mostra que o acidente pode afetar a vida de pelo menos seis espécies diferentes. As mais afetadas pela mancha são a jubarte, a cachalote e a piloto-de-nadadeiras-curtas. Baleias do tipo bryde, minke-anã e franca, porém, também correm o risco de nadar de encontro à mancha.  “A Chevron terá de pagar pelos impactos causados no meio ambiente”, disse o ex-ministro.


Causas - A petroleira evita falar das causas do acidente antes do final das investigações. Admite, no entanto, erro de cálculo na pressão. "Nós subestimamos a pressão no reservatório. Era mais alta do que esperávamos. O peso da lama foi programado para outra pressão", afirmou George Buck, presidente da Chevron Brasil, em uma entrevista que não pôde ser nem gravada e nem filmada. Ele também não soube explicar porque houve vazamento do óleo em um trecho específico da tubulação,conforme mostrou o vídeo divulgado pela ANP.


A Polícia federal apura a informação de que o poço foi perfurado em uma extensão 500 metros além do permitido. Sete funcionários da Chevron foram intimados a dar esclarecimentos na próxima semana, inclusive os engenheiros que trabalham na plataforma.


A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e a Marinha do Brasil (MB), se juntaram para acompanhar as investigações do caso.  Os órgãos dividiram as funções. Assim, a ANP será responsável por apurar as causas do acidente e fiscalizar a contenção do vazamento; o Ibama deverá avaliar as ações da empresa para minimizar os danos ao meio ambiente, e a Marinha olhará as condições de segurança marítima da plataforma, além de disponibilizar navios e helicópteros para o acompanhamento das atividades. 


O poço com problemas está no campo de Frade, na Bacia de Campos. Sua capacidade de produção é de 75 mil barris de petróleo por dia, que lhe garante o posto de oitavo maior campo do Brasil. O empreendimento é controlado em sua maior parte pela Chevron, que detém 52% das ações. Mas Petrobras e o consórcio japonês Frade Japão, ficam em segundo e terceiro, com 30% e 18% de participação.


Histórico -  O caso não é o primeiro incidente do gênero no Brasil. A história da indústria petroleira no Brasil guarda em sua história tragédias como a explosão da plataforma P-36, da Petrobras, em março de 2001, que deixou 11 mortos, e um duto que se rompeu na Baía da Guanabara e despejou 1,3 milhão de litros de petróleo em janeiro de 2000. 


Se comparado ao vazamento ocorrido em uma plataforma da BP no Golfo do México, no ano passado, o caso do Campo de Frade é de pequenas proporções. "Mesmo assim é preocupante. Acidentes na cadeia de petróleo sempre causam impacto”, diz o ambientalista Carlos Bocuhy. Um detalhe que une os dois casos, porém, é que tanto BP quanto Chevron contrataram a mesma empresa terceirizada para a perfuração de poços, a Transocean.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Rigor jornalístico? Não é com a Veja.

Observatório da Imprensa ilustra didaticamente a falta de compromisso da Veja com a notícia. Segundo a revista a população da Rocinha flutua ao sabor da preguiça de cada jornalista.

Veja
18/11/2011

Veja e o povo da Rocinha

Por Mauro Malin em 18/11/2011 na edição 668
A TV Globo dá 70.000 (arredondamento do número oficial do Censo de 2010 do IBGE), o jornal O Globo dá 100.000. Nem dentro das Organizações Globo os jornalistas se entendem a respeito da população da Rocinha.

Evidência de distanciamento, desconhecimento, falta de interesse por parte da imprensa, os números da Rocinha sempre foram tratados a pontapés. A população da Rocinha é um número-sanfona. Alguns indivíduos delirantes já chegaram a falar em 400.000 moradores. Seria a maior favela do Rio, do Brasil, da América do Sul, da América Latina. Não é nem do Rio.
Quem já sobrevoou a Rocinha de helicóptero sabe que naquele espaço não cabem 100.000 pessoas, apesar do esforço caprichoso dos moradores para poupar espaço: razão das escadas que parecem degraus de escalada em montanha; razão de uma incidência de tuberculose acima da média da cidade e do país.
A montanha-russa da Veja
Um dos veículos que mais abusaram da ignorância própria e dos leitores foi a Veja. Ao longo dos anos, nas páginas da revista, a população residente da Rocinha andou numa montanha russa. Repórteres e editores nem se deram o trabalho de consultar os números usados na reportagem anterior.

Em dez meses do mesmo ano (1975) a população caiu de 150.000 para 80.000. Subiu para 145.000 em 1978. Em fevereiro de 1980, caiu para 98.000. Meses depois, a população da Rocinha informada pela Vejasaltou para 200.000. Entre 1980 e 1989 não aconteceu nada na favela: a população estacionou em 200.000 moradores. Em fevereiro de 1994, foi dividida por cinco (42.800), mas cinco meses depois apareceria revigorada, com 170.000 habitantes.

Seria uma pândega, se não fosse um crime jornalístico que se constata melhor na tabela abaixo.
      População da Rocinha
            segundo a Veja
16/9/1970
90.000
28/2/1975
150.000
24/12/1975
80.000
9/8/1978
145.000
2/7/1980
200.000
12/7/1989
200.000
20/4/1994
42.800
2/9/1994
170.000
16/3/2005
100.000
6/8/2008
67.000

Quem desconfiar dos dados faça o favor de consultar o Acervo Digital da Veja. Dá um certo trabalho, mas é uma recompensadora viagem ao diletantismo da revista brasileira com maior tiragem.